quarta-feira, 25 de abril de 2012

Comissão da verdade reacende crimes apagados pelo regime militar


A idade é marcada na pele e as memórias são arquivadas na mente, mesmo que ainda isso tudo se perca em um possível esquecimento. Maria Fonseca, é uma mulher que viveu em tempos onde a bonança não durava tanto quanto a tempestade. No momento em que a Comissão da Verdade Paulista é aprovada e a nacional é planejada, pessoas que tiveram amigos e parentes torturados pelas mãos sujas de sangue do regime militar, querem justiça para aqueles que lutaram por suas ideologias, sejam elas utópicas ou construtivas. 
“Meus vizinhos, amigos e até professores de minha filha sumiam sem dar pistas”, Lembra Maria.  O intuito da comissão, segundo Adriano Diogo, presidente da comissão, “é esclarecer as graves violações dos direitos humanos, durante o período ditatorial em São Paulo”.

Nossa personagem, uma senhora como qualquer outra que preferia não entrar na discussão sobre o que realmente era aquele regime. “Ninguém, ou quase nenhuma pessoa que tinha emprego fixo e família, gostava de se envolver ou lutar contra algo que parecia ser invencível, e que de qualquer forma nos passava uma imagem que só fomos ver desmascarada anos depois”, conta Fonseca. 
  
Nos tempos da ditadura (1964 à 1985), muitas das ações que levam hoje à prisão, eram acobertadas por agentes ligados aos militares, enquanto guerrilhas independentes tentavam derrubar o poder, pessoas inocentes e que só usavam o dom da palavra para expressar sua indignação, eram friamente executadas ou sumiam sem deixar rastros. Professores que falavam algo que ia além daquilo imposto em sua aula, desapareciam de um dia para o outro, como conta Maria. “Minha filha, quando pequena, chegava em casa diversas vezes me dizendo que o professor ou professora que ela tanto gostava tinha saído de sua escola sem se despedir dos alunos”, diz aflita. “A gente desconfiava, mas só comentávamos quando estávamos em casa, longe de qualquer ouvido”.
A criação da comissão em São Paulo é um grande passo para a democracia e para um enfrentamento pós-ditadura que ainda é tímido entre os grandes órgãos públicos. O assunto foi sempre bastante criticado por aqueles que sempre buscaram a verdade, mesmo não tendo vivido na época em que o regime imperava nos solos paulistas e brasileiros.
Porém, muitas pessoas que entrarão em investigação, não vivem mais e há a lei da anistia, que serve também aos militares, ou seja, o ato da comissão será apenas para esclarecer e não para punir. Essa questão foi alvo de protestos, principalmente no aniversário do regime, onde diversas pessoas foram às ruas protestar e cobrar o início das comissões, pois a principal delas, a nacional, ainda nem começou.


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